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Catálogo Exposição Izabel Mendes da Cunha | 07/12/2009

Conheci Dona Izabel na minha ida ao Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, em 2008.
O Jequitinhonha era uma falha no meu currículo, como eu sempre dizia aos amigos, que me respondiam que por lá não havia mais nada a ser garimpado.
Mas não era o garimpo que me atraía. Era conhecer aquelas terras, saber do povo, tentar entender a riqueza criativa do Ulisses, da Noemisa, da dona Izabel.
O legado dessa gente é fundamental para a compreensão e preservação da nossa história, do nosso patrimônio artístico e cultural. Além disso, são brasileiros que criaram à sua volta comunidades inteiras que aprenderam a feitura do barro. É gente que não guardou pra si esse saber mas, ao contrário, disseminou-o, entendendo que assim poderiam ( e o fizeram) melhorar a qualidade da renda de muitos .
Quando cheguei em Santana do Araçuaí, na casa da dona Izabel, já era noite. Ela me esperava com o olhar brejeiro, vestido de estampa, brinco, colar, pulseira e os cabelos em coque, com um sorriso hospitaleiro.
Imediatamente identifiquei nela suas bonecas.
Que luz, que brilho, que olhar doce e firme daquela mulher com tantas histórias e experiências para compartilhar! Meu envolvimento foi imediato. Minha admiração crescia e me senti seduzida!
Casa organizada, vários cômodos, cozinha, banheiro, sala de visita e jantar e, no fundo , o ateliê. Vi ali algumas bonecas e foi então que ela mostrou seu processo de trabalho.
Sentamos na sala de jantar e, em volta da mesa comendo biscoitos de polvilho fresquinhos, feitos por sua filha Maria, ela contou que nunca tinha tido uma exposição individual. Contou de passagem, sem ênfase ou mágoa mas, quando perguntei se ela gostaria de ter, a resposta foi imediata: sim!
Não pensei duas vezes. Também disse “sim”, na certeza de que essa é a missão do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro – IIPB. Mais do que missão, privilégio!
Fiquei muito surpresa que uma artista, patrimônio nacional, reconhecida pela Unesco, com tanta literatura a respeito e com a participação em tantas coletivas, não tivesse tido ainda essa alegria.
Pois aqui estamos nós, nesta noite festiva , vivendo o privilégio de tê-la conosco na abertura da sua primeira exposição individual, aos 85 anos de idade.

Vilma Eid




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