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Catálogo Chico Tabibuia | 20/03/2019

CHICO TABIBUIA

Quando Paulo Pardal, o grande descobridor e incentivador da obra de Chico Tabibuia, faleceu, fui convidada para ir à sua casa em Barra do São João, RJ. Lá conheci sua filha, Maria Vittoria, que me levou até a casa do artista. Eu já conhecia Tabibuia e tinha visto várias esculturas suas, mas aquele lugar era inacreditável, inesquecível, tão magico quanto a obra dele. Pé-direto muito alto, o galpão abrigava esculturas de todos os tamanhos. Imensas, grandes, médias, pequenas. Exus relógios, famílias de Exus, falos em profusão!
O ambiente era inebriante! E o melhor, ou não...: eu podia escolher o que comprar. Estava tudo lá, diante de mim e à minha disposição. Não lembro em que ano foi. Lembro, sim, que eu ainda não tinha a Galeria Estação, inaugurada em 2004. Era sócia de uma empresa que não tinha nada que ver com obra de arte e acabara de receber um bônus – um bom dinheiro. Não pensei duas vezes. Coloquei tudo em Tabibuia. Nunca me arrependi. Só me arrependi de vender algumas obras para promover e divulgar o nome do artista em São Paulo, onde era ainda bastante desconhecido.
Há muitos anos aguardo para poder montar uma exposição dele. Eu não tinha peças em número suficiente e a dificuldade para encontrá-las à venda era grande. Por isso também, neste momento, minha alegria é enorme. Sinto-me realizada porque finalmente consigo mostrá-lo em São Paulo.
Em abril de 1996, a galeria Nara Roesler fez a primeira individual de Tabibuia, com curadoria de Frederico de Moraes. A Folha de S.Paulo – que considerava a exposição uma ousadia – publicou: “A escolha de Chico Tabibuia para a mostra, como explica o curador, espelha uma tendência mundial que passa pelo multiculturalismo e pelo esgotamento estético de certas linguagens euro-norte-americanas”. Estamos no século XXI, e a justificativa de Moraes está tão fresca quanto naquela época...

Vilma Eid




Galeria Estação
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