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Conceição dos Bugres | O índio na estética mínima de Conceição | 03/08/2017

Conceição dos Bugres

No final dos anos 80, quando conheci o Paulo Vasconcellos, conheci também a obra da Conceição.
Ele tinha 3 totens, um sobre o outro, formando um único. Já havia visto em catálogos de exposições mas soube então que ela morava em Mato Grosso e que era muito raro encontrar suas esculturas.
Com o tempo entendi que a dificuldade de ver seu trabalho era porque no sul ela era pouco conhecida.
Certa vez, em visita a uma pintora, vi 3 cabeças que pertenciam à essa coleção. Eu quis logo comprar e a artista me disse que não estavam a venda. Passei a frequentar o ateliê sempre de olho naqueles bugres. A artista começou a se desfazer de sofás, cadeiras, mesas e várias outras coisas mas nada das Conceição. Fui comprando cada objeto oferecido, gostasse ou não, precisasse ou não. Minha estratégia ( que vergonha!!!) era estar próxima pois achei que chegaria o dia dos bugres. Com paciência e determinação esperei e o dia chegou. Uau! Que delícia! Finalmente os primeiros bugres vieram morar comigo. Os colecionadores sabem do que estou falando. É aquela necessidade de possuir a obra cobiçada que te enche de alegria e prazer.
Nunca mais me separei delas. Era raro mas quando apareciam eu comprava. Em casa tenho algumas, todas “tombadas” como digo sempre. Entraram, daqui não saem.
Fazer uma mostra não foi tarefa fácil. Na verdade achei que seria impossível reunir uma quantidade razoável de obras necessárias para mostrar o universo dessa grande escultora.
Minha alegria é enorme. Ela nunca teve uma exposição em São Paulo!
O convite para o Miguel Chaia ser o curador não poderia ter sido mais feliz. Apesar de não ter tido antes familiaridade com a obra ele foi fundo. Seu texto passa a ser fundamental para a compreensão e contextualização da escultura da Conceição no mundo da arte.
Espero que vocês gostem e entendam que essa é uma oportunidade sem precedentes.

Vilma Eid




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