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Catálogo exposição Antonio de Dedé | esculturas | 12/09/2013

Antonio de Dedé

Primeiro conheci a obra, e finalmente, há pouco tempo, o artista.
Foi com a Maria Amélia e o Dalton que pela primeira vez vi os trabalhos do Dedé. Acompanhei-o, como geralmente faço, durante alguns anos e constatei o talento desse homem humilde que transforma troncos em seres fantasiosos e muito espirituosos. Morando no sertão alagoano (Lagoa das Canoas), ele cria Sereias, um dos seus personagens favoritos, São Franciscos, São Jorges, Homens-Pássaro e uma infinidade de figuras do seu rico imaginário.
Em 2012, com a participação no projeto Teimosia da imaginação – livro, documentário e exposição no Instituto Tomie Ohtake –, Antonio de Dedé tornou-se conhecido no Sul do país. Coincidentemente, no mesmo ano seu trabalho foi selecionado para participar da exposição Histoire de voire na Fondation Cartier, em Paris, estando documentado no catálogo da mostra. Além da participação, as obras foram adquiridas e hoje fazem parte do acervo daquela prestigiosa instituição.
Quase inacreditável, não é mesmo? É o talento reconhecido. Antonio de Dedé no lugar certo e na hora certa.
No início de julho de 2013 finalmente fui conhecê-lo. Viajamos até lá a Germana Monte-Mór, sua máquina fotográfica pronta para registrar os acontecimentos da nossa visita, e a Roberta Saraiva Coutinho, convidada para ser a curadora desta exposição.
Fiquei comovida com a humildade do Dedé. Vivendo na mais absoluta pobreza, rodeado pelos cinco filhos e pelos netos, demonstra uma inabalável alegria de viver. Falante, sorriso permanente nos lábios, comove-se ao falar da esposa que se foi deixando-o sozinho com a criação dos filhos. Mas ele deu conta. A família vive em uma união impressionante. Um dos filhos veio trabalhar em Ribeirão Preto, cidade no interior de São Paulo, mas não aguentou ficar longe da família. Voltou em poucos meses. Disse que lá o aluguel era muito caro e que não viu por que ficar afastado. Vivem assim. Todos juntos e trabalhando.
Convidei Dedé para vir para a abertura da exposição na galeria. Convidei um dos filhos para acompanhá-lo. Mas não teve jeito. Ele deu várias desculpas, mas, principalmente, dizia que os meninos dão muito trabalho e que não pode deixá-los sozinhos. Os “meninos” em questão já têm quase trinta anos... É mesmo medo de avião.
Enfim, aí está o trabalho do Dedé. Cheio de cor, humor e fantasia, assim como é o nosso artista.
Espero que vocês gostem tanto quanto eu.

Vilma Eid




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