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Catálogo Exposição Zé do Chalé: escultor do vazio | 15/04/2013

Zé do Chalé
Pôxa! Começo a escrever este texto chateada! Não conheci Zé do Chalé. Ele morreu em 2007, aos 105 anos, e eu não o conheci.
Eu já frequentava bastante o Nordeste. Mas sempre aquelas viagens malucas. Chegava à noite em Recife, onde fazia meu quartel-general, no dia seguinte pegava um carro e ia para algum lugar, de lá para outro e mais outro e mais outro, dormindo em lugarejos, hotéis de beira de estrada. Quando chegava em uma capital como Maceió, por exemplo, eu ficava mais um dia e meu destino rapidamente era o aeroporto. Tenho visto muitas coisas. Tenho conhecido muita gente. Mas não conheci o Zé do Chalé! Esse gênio eu perdi. Foi uma falha! Eu sabia dele. Ele morava em Aracaju, Sergipe, nem tão difícil de chegar...
Não lembro bem se a primeira vez que vi um trabalho dele foi com a Maria Amelia e o Dalton ou com o Celso Brandão. De qualquer modo, ambos têm uma coleção invejável, além de tê-lo conhecido (tenho inveja das duas coisas... inveja branca, claro!).
Lembro bem da disputa que as obras dele provocavam. Também! Começou a esculpir os Troféus, como ele os denominou, aos 89 anos. Era briga mesmo. Uma vez comprei um através de uma amiga, que mandou para São Paulo através de não sei quem, e a obra foi parar nas mãos de uma terceira pessoa. Não perdoei! Foi bem difícil aceitar ficar sem a escultura. Era assim. Todos nós enxergávamos a qualidade excepcional daquele trabalho e a pequena produção gerava a disputa.
Não foi facil decidir fazer uma exposição comercial. Tenho vontade de guardar todos os trabalhos para mim, mas dessa maneira o nome e a obra desse grande escultor continuariam na escuridão, o que não considero justo nem com ele nem com os amantes da arte. A parceria com a Galeria Karandash foi fundamental. Eles têm um grande acervo, toparam mostrar e disponibilizar. Sinal de pura generosidade!
A admiração do Cauê Alves pela obra do Zé do Chalé foi imediata, e com o convite para que fosse ele o curador continuamos nosso movimento, permanente, em busca da aceitação de que a arte não tem fronteiras.

Vilma Eid




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