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Catálogo Exposição Jogo dos sete erros | Ranchinho e Rodrigo Andrade | 30/08/2012

No final dos anos 80, na Galeria de Arte Paulo Vasconcellos, Paulo e eu, sócios naquela época, realizamos a exposição individual do pintor Sebastião Theodoro Paulino da Silva, mais conhecido como Ranchinho. Ele estava vivo e o trouxemos para a abertura. Fiquei impressionada de ver aquele homem pequeno, ansioso e inquieto, portador de deficiência mental desde a infância, transformar-se completamente quando tinha em mãos qualquer material para desenhar. Concentrava-se, acalmava-se, aquietava-se. Era outra pessoa. A mostra foi um sucesso. As obras eram belíssimas! O talento do artista era imperativo.
Agora, depois de tantos anos, consegui reunir obras dele para uma nova individual. A Germana Monte-Mór sugeriu que chamássemos o Rodrigo Andrade, artista contemporânea que nos anos 80 integrou o grupo Casa 7, para expor obras suas junto com as do Ranchinho. Há qualquer coisa no trabalho de ambos que os aproxima, e foi pensando nisso que chamamos o Rodrigo. Tremenda ousadia! Não sabíamos como ele reagiria.
Assim que mostramos ao Rodrigo a obra do Ranchinho, ele, entusiasmado, foi ainda mais ousado. Propôs pintar fazendo uma releitura da obra do artista não erudito nascido na cidade de Assis, interior de São Paulo.
Rodrigo Andrade e Ranchinho, lado a lado!
Rodrigo é um artista erudito, que estudou no Brasil, na Escócia e na França. Domina as técnicas de pintura, é criativo, sensível e corajoso. Sabe que ele e Ranchinho são diferentes entre si, mas isso não o impediu de emocionar-se e de reconhecer a qualidade da obra do colega autodidata, que apesar de tantas adversidades nos deixou um legado artístico maravilhoso!
São essas as aproximações, os diálogos, que nos permitem mostrar que a arte não tem fronteiras nem deveria encontrar barreiras. Isso é o fundamental, e tomara que seja esse o critério que nos domine diante da obra de arte.
Um agradecimento especial à Galeria Millan, de quem o Rodrigo é artista, que imediatamente concordou com o projeto.
Espero que, ao olhar o resultado dessa ousadia, possamos todos nos abrir, coração e mente, para perceber que, como dizem, só existem dois tipos de arte: a boa e a ruim.

Vilma Eid




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