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Catálogo Exposição Neves Torres Pinturas | 16/04/2012

Meu primeiro contato com a pintura de Neves Torres me deixou com a sensação de que eu estava diante do trabalho de um artista que vivia em outra esfera, diferente desta em que vivemos. As cores calmas, paisagens com lagos, montanhas, animais e, vez por outra, pessoas com rostos de animais me levaram a crer que o artista certamente era um homem do campo. Enganara-me, mas somente soube disso quando li na sua ficha que ele é habitante da cidade de Vitória, no Espírito Santo.
Ele mereceu e ganhou o premio aquisição, o que, eu soube depois, deixou-o e à família bastante surpresos. Era a sua primeira participação em um salão.
O ano era 2010 e o local, a Bienal Naïfs do Brasil, promovida pelo Sesc de Piracicaba. Eu fazia parte do júri e tinha a incumbência, com dois outros colegas, de escolher o primeiro prêmio entre 800 trabalhos colocados à nossa frente... tarefa árdua!
Voltei de Piracicaba decidida a visitá-lo. Eu precisava conhecê-lo para tentar entender a sua pintura. Convidei dois amigos para irem comigo, e lá fomos nós para essa pequena aventura que deixava minha cabeça repleta de fantasias a respeito do modo de vida do Neves Torres (não consigo chamá-lo somente de Neves e tampouco de Torres...).
Seu filho Francisco nos esperava no aeroporto e nos levou diretamente para a sua casa, onde o pai, o artista Neves Torres, nos aguardava. Uma bela família, estruturada, vivendo unida e muito feliz com a repentina conquista do patriarca da família.
A história é simples. Pai e filho trabalhavam na construção civil e o filho pintava por prazer e como assistente de um pintor. Na aposentadoria do pai, o filho, preocupado, comprou algumas telas, tintas e pincéis e deu a ele para que se distraísse. Os quadros do pai o surpreenderam, ele decidiu enviar dois deles para Piracicaba, e Neves Torres acabou saindo vitorioso.
A partir desse primeiro contato, passei a selecionar e comprar vários trabalhos dele, como faço sempre que conheço um novo artista. Ele pintava, mandava para mim, eu ficava com alguns e devolvia outros. Mas a obra foi crescendo de tal maneira que comecei a ter dificuldade de devolver os mais fracos. Bem, chegou então a hora de mostrá-lo.
Tiago Mesquita sentiu o mesmo entusiasmo ao primeiro contato com as pinturas, que reforçou ainda mais ao visitá-lo na sua casa em Vitória.
Decisão já tomada, esteve na galeria o Hervé Chandès, diretor da Fondation Cartier pour L’art Contemporain, para selecionar alguns artistas e suas obras para participar da exposição Histoires Vraies (Histórias Verdadeiras), que será aberta na sede da instituição em Paris no dia 13 de maio de 2012. E, entre muitos outros, escolheu seis pinturas de Neves Torres, que, dessa maneira, já inicia sua carreira com uma individual em São Paulo e uma coletiva em Paris!
Nós, da Galeria Estação, sentimo-nos alegres ao poder compartilhar com vocês esse momento tão especial.

Vilma Eid




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