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Samico | 28/05/2019

Samico

O querido Samico se foi logo depois da exposição que fizemos com suas obras, que contou com a presença dele e da doce e firme Celida, sua companheira da vida inteira.
Deixou muita saudade, mas, através do seu trabalho, é imortal.
Suas xilogravuras, um dos trabalhos mais importantes da arte brasileira, transbordam de detalhes, cores e histórias. Ele usava abundantemente a mitologia, na hora da criação, enriquecendo ainda mais a obra.
Pernambucano, escolheu Olinda para se fixar depois de passagens pelo Rio de Janeiro e pela Europa, e viveu sempre no mesmo casarão do século XVII, reformado e preservado por ele e Celida. Os visitantes eram bem-vindos. Na sala de visitas do casarão, sentado na cadeira de balanço, Samico apreciava uma boa prosa. Sua vida era simples, dedicada à família e ao trabalho. O ateliê era em casa, de forma que ele pouco saía. Era um homem que gostava da rotina.
Em 2012 mostramos os trabalhos que cobriam o período de 1992 a 2011.
Nesta mostra, curada por Ivo Mesquita, temos o privilégio de exibir gravuras que abrangem um período mais longo, que vem desde os anos 40. São na maioria P.A.s ou pequenas tiragens, como era seu hábito até 1999, quando passou a fazer edições de 120. As mais antigas têm uma bela história. Pertenciam a um velho amigo no Rio de Janeiro. A cada impressão, Samico tirava uma para si e outra para ele. Por um acaso feliz, elas chegaram às nossas mãos.
Aproveitem! Não é todo dia que temos essa oportunidade.

Vilma Eid