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A Galeria Estação exibe, com curadoria de Vilma Eid e João Grinspum Ferraz, a individual de Agostinho Batista de Freitas (Campinas, 1927 – São Paulo, 1997), artista descoberto nas ruas do centro de São Paulo, em 1952, por Pietro Maria Bardi, o então diretor do MASP - Museu de Arte de São Paulo. Direito à Poesia- Agostinho Batista de Freitas reúne 67 obras que, segundo os curadores, acercam os temas considerados os mais surpreendentes de seu trabalho: urbano, fazendas e festas. Agostinho compunha suas pinturas de maneira detalhada, porém simples, captando de forma excepcional cenas da vida cotidiana. Segundo Ferraz, o professor Bardi comparava o artista ao mestre em retratar as paisagens parisienses, Maurice Utrillo. Com o passar do tempo, porém, Agostinho passou a retratar não só a cidade de São Paulo, mas também outros temas, como fazendas, festas populares, animais e plantas. “Trabalhos que nos remetem à obra de Henri Rousseau, pintor francês do final do século XIX e início do XX.”, afirma o curador. Sem ter estudado técnicas de pintura, o artista representou o mundo a sua maneira e, através de uma arte não conceitual, tornou-se grande paisagista. Como diz Bardi, “ingênuo por natureza, simplificador festivo do que pinta, um mestre popular instintivo (...) Agostinho é o que é: um pintor”. Ferraz ainda completa: “Ele remanesce hoje como um observador atilado, e insere-se na linhagem direta dos grandes observadores da terra Brasil, aquela que vai de Franz Post e Carlos Julião a Alberto da Veiga Guignard”. Nascido em Campinas, Agostinho veio à cidade de São Paulo com 11 anos para trabalhar em uma fábrica de brinquedos na Mooca, da qual foi demitido por fazer desenhos no horário de trabalho. Depois de atuar como ajudante de eletricista, o artista passou a pintar e vender seus quadros na calçada da Avenida São João, no centro da cidade. Em 1952, P.M. Bardi passava por ali e se interessou por seu talento, “uma visão não abstrata, nem informal, nem concreta”. Segundo ele, Agostinho, desde aquele tempo, tornou-se seu amigo, e fez tudo o quanto pôde, com convicção, para o artista ser conhecido. “[Agostinho] esteve trabalhando, sempre atencioso, paisagista nato, sempre o mesmo manifestar genuíno”, escreve. A mostra dá continuidade ao trabalho do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro (IIPB), - criado para preservar e promover a produção que emana do fazer artístico de origem popular brasileira -, e busca resgatar a memória e a obra de Agostinho. “Depois de sua morte, Agostinho quase caiu no esquecimento e esta exposição e o livro são uma forma de resgatar e fazer justiça a uma figura importante do cenário artístico brasileiro”, explica a curadora, presidente do IIPB e diretora da Galeria Estação, Vilma Eid. Na abertura da mostra, será lançado o livro Direito à Poesia- Agostinho Batista de Freitas, com textos de João Grinspum Ferraz, Pietro Maria Bardi e Roberto Rugiero, além de 64 fotos de obras, de João Liberato de Souza Vidotto e Luiz Hossaka.


 


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