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Release

GALERIA ESTAÇÃO
APRESENTA
MULHERES NA ARTE POPULAR

Abertura: 26 de março, às 19h – Visitação: até 9 de maio de 2020

A exposição Mulheres na arte popular, realizada pela Galeria Estação, reúne oito artistas, com cerca de 50 obras, entre esculturas, pinturas, gravuras e tapeçarias. A importância do recorte apresentado, segundo Fernanda Pitta, historiadora da arte e curadora da Pinacoteca de São Paulo, que assina o texto sobre a exposição, se evidencia pelo fato de que mulheres estiveram menos representadas na construção da ideia de arte popular no Brasil. Conforme ela destaca, essa seleção de obras de Conceição dos Bugres, Elza de Oliveira Souza, Izabel Mendes da Cunha, Madalena dos Santos Reinbolt, Maria Auxiliadora, Mirian Inês da Silva Cerqueira, Noemisa Batista dos Santos e Zica Bérgami permite ainda observá-las sob os ponto de vista da raça e socioeconômico. A historiadora observa ainda que, com exceção de Zica Bérgami, filha de imigrantes italianos, Conceição dos Bugres, caingangue do Rio Grande do Sul emigrada para o Mato Grosso do Sul, e Mirian Inês, todas são afrodescendentes, e muitas compartilham a criação no meio rural, a vivência de trabalhos subalternos, a experiência de vida com meios parcos. “É significativa a marca deixada pelo mundo rural, não só naquelas artistas que produzem nesse contexto, mas também naquelas que receberam os impactos do êxodo característico da segunda metade do século XX”.
Imagens da cultura popular urbana de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo estão nas obras de Elza, Maria Auxiliadora, Mirian e Zica, enquanto Madalena traz a evocação do universo da fazenda de sua infância. Segundo a historiadora, as artistas se impregnam das vivências do cotidiano, marcadas pelas desigualdades de raça e gênero em nosso país; dão forma às aspirações, sonhos e desilusões de vidas marcadas pela transformação social intensa, no mais das vezes violenta, mas também a novas perspectivas e oportunidades.
A riqueza da experimentação técnica é outra constante, segundo Pitta. As artistas inventam procedimentos, desenvolvem tecnologias, contradizendo a visão corriqueira sobre as artes tradicionais, que evita reconhecer que elas têm história e se transformam. Enquanto Madalena desenvolveu um sistema de múltiplas agulhas para trabalhar seus bordados, Conceição teve revelada em sonho a sua técnica de cera amarela. Já Auxiliadora utilizou-se do decalque do próprio cabelo e de tecidos e Izabel colhia seu barro na lua nova e inventava tradições ao autonomizar suas mulheres – “isso ninguém nunca me ensinou, fui eu que inventei” – em sua arte associada às moringas. Por sua vez, Noemisa também se afasta da utilidade, o suporte nunca é neutro, sugere formas e reage à ação da artista.
“Se a produção artística dessas mulheres populares adentrou as casas-grandes das narrativas da arte no Brasil, museus e galerias – mas o fez na medida em que diferenças socioeconômicas e raciais só foram assimiladas pelo modernismo através das categorias de “popular”, “virgem” ou “primitivo” –, o momento atual exige que se vá além do reconhecimento, transformando o que é a já histórica inclusão simbólica em transformação das estruturas de poder; não só dos discursos, mas das práticas. Que os frutos das criadoras populares do futuro também sejam repartidos com elas, até que não reste mais nenhuma casa-grande”, completa Pitta.

Exposição: Mulheres na Arte Popular
Abertura: 26 de março, às 19h
Visitação até 9 de maio de 2020
Classificação livre
De segunda a sexta, das 11h às 19h, sábados das 11h às 15h – entrada franca.

Galeria Estação
Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros SP                                           
Fone: 11.3813-7253
www.galeriaestacao.com.br

Informações à Imprensa
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Fone: 11.3032-1599
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