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22/06/2012 | Encantado - O Estado de São Paulo | Divirta-se

Quando jovem, Samico vivia a copiar. Copiava capa de revista, copiava estampas de santo. Até que seu pai, intrigado com o interesse do filho, resolveu lhe apresentar um amigo: Hélio Feijó, fundador da Sociedade de Arte Moderna do Recife. Começava ali a história do artista que Samico viria a ser.
Um artista que não mais copiou, mas se inspirou - na literatura de cordel, no trabalho dos gravadores populares, em símbolo com o "signo Salomão"-para criar suas xilogravuras. Da infância no Recife, aproveitou as histórias curiosas que costumava ouvir. E passou a incorporá-las ao seu trabalho. Essa ideia (ou, como ele diz, " esse chamamento") é responsável por boa parte do lirismo observado em suas obras.
As 16 gravuras que Samico expõe, a partir de 4ª (27), na Galeria Estação, foram feitas entre 1992 e 2011. Poucas obras para um período tão longo? Não se consideramos que ele leva, em média , um ano para fazer cada trabalho.
"Vou tentar lhe inteirar do que se passa comigo: sou um sujeito muito lento, pra todas as coisas", confessa à repórter, com a mesma tranquilidade com que repete, sempre que preciso, cada etapa do seu processo de produção.
" Eu não faço um gravura gestual; se eu tiver que errar, vou errar e talvez perder tudo o que fiz até aquele ponto."
Depois de desenhar talhar, a madeira e 'carimbar' o papel, Samico adiciona, às áreas 'vazias' da gravura em preto e branco, alguns pontos de cor. Coisa de "pintor frustrado", como ele, bem humorado se autodomina.
Esses pontos de cor ajudam a tornar suas obras mais " cheias de luz", como as dos artistas populares apresentados a Samico pelo amigo Ariano Suassuna.
Luz que o artista, de 84 anos , mantém até hoje em sua casa-ateliê, em Olinda.

Marina Vaz




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