Notícia

22/02/2011 | Revista Lindemberg - 5 experiências

A vida da galeirista Vilma Eid é repleta de agradáveis surpresas e, como ela mesma diz: "arteiros". Artífice do movimento de arte popular, Vilma expõe em sua Galeria Estação um importante acervo que deu origem ao Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, considerado por especialistas, como o antiquário Paulo Vasconcellos e a arquiteta Janete Costa, a coleção particular mais importante do gênero, no país.

Para descobrir talentos em pessoas simples, como o ex-lavrador Artur Pereira (1920-2003), e juntar um time seleto de artistas, como José Antônio da Silva, Nuca de Tracunhaém, Nino, Jadir, Ranchinho, Vidal, Agostinho Batista de Freitas, GTO, Louco, entre outros, Vilma viaja constantemente . A seguir, ela conta um pouco das aventuras inesquecíveis proporcionadas por seu trabalho, seus amores e as andanças pelo Brasil afora.

O arquiteto Hugo de Pace me procurou para eu ceder esculturas de madeira e barro para o seu ambiente na última Casa Cor. Foi um grande momento porque ele é um ícone e a arte popular ainda é incompreendida, confundida com artesanato. O Hugo reconhece arte e o que importa, ou seja, a qualidade. Recentemente repetimos o dueto, pois ele montou outro espaço só com obras do escultor José Bezerra.

A minha grande experiência de vida é como mãe e avó. Não sei expressar, é uma vivência afetiva muito especial.

Poética Popular

Viajo muito para conhecer artistas em situações incomuns, como José Bezerra, um pernambucano que vive no Vale do Catimbau, em Buiqui. Para chegar à sua casa de pau a pique, viajei cinquenta horas, partindo de Recife. Ele vive numa antiga reserva indígena. Uma maravilha. Também conheci o Véio, um escultor sergipano que expus esse ano na Galeria Estação.

Em 2004 consegui fundar, com outras pessoas, o Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, focado na arte e cultura popular. Sou a primeira presidente e, através do meu trabalho, tenho vivido emoções particulares para quem, como eu, é apaixonado pela arte popular.

Este ano fui convidada para participar do júri na Bienal Naïf do Sesc, em Piracicaba, com artistas do Brasil inteiro. Eram 800 trabalhos e nós, os jurados, tivemos de selecionar 120 deles, num contato muito intenso com a arte. Lá encontrei o pintor Neves Torres, de 78 anos, que começou a pintar há cinco anos. Ele é de uma poética e pureza incríveis. Havia muito tempo que não me emocionava tanto.




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