Notícia

04/09/2018 | Santídio Pereira

Por Elisa Maia

“O olhar da memória”, em cartaz na Galeria Estação, em São Paulo, é a segunda individual do artista visual piauiense Santídio Pereira e tem curadoria de Luiza Duarte. A mostra reúne xilogravuras impressas em grande escala que o artista cria a partir das memórias de sua infância no sertão do Piauí. A sobreposição de camadas, formas e cores que compõe cada uma das impressões aos poucos revela imagens de pássaros e plantas características de paisagem que Santídio habitou até os oito anos.
Hoje, aos 21 anos e morando em São Paulo, o artista utiliza a memória como ferramenta para alcançar esse tempo distante. Mas se a memória não pode ser compreendida como um vidro transparente através do qual podemos ver um determinado referente, mas antes como um fator de opacidade que expande, suprime, transforma, deforma e edita a experiência vivida, é preciso dizer que a imaginação é também crucial ao seu trabalho.
Santídio conta que, quando deixou o sertão do Piauí para morar com a mãe e os três irmãos em São Paulo, trazia na bagagem um repertório visual muito diferente do que viria a encontrar na metrópole. Morando na roça, sem água e sem luz, Santídio nunca tinha visto carro, escada rolante, privada. “No ônibus de vinda para São Paulo, lembro-me de um menino falando para a gente contar os fuscas que passavam, mas eu nem sabia o que eram fuscas”. Talvez justamente por isso Santídio tenha desenvolvido um olhar tão sensível para o mundo, um olhar mais lento e criativo, na contramão da visão urbana, anestesiada pela carga visual excessiva e pelo ritmo acelerado da cidade. É com esse olhar que Santídio (re)cria elementos do universo que deixou para trás, traduzindo de forma poética suas memórias de infância em belas imagens.




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