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07/09/2011 | Exposição mostra 11 trabalhos de Mestre Aurelino em A TARDE (Jornal da Bahia)

Um artista raro. É o mínimo que se pode dizer sobre a obra do Mestre Aurelino, que está expondo 11 telas no hall do jornal A TARDE, em parceria com a Galeria Prova do Artista, até o dia 2 de novembro.
Às vésperas de completar 70 anos, embora respeitado entre os colecionadores de arte, o artista tem pouca visibilidade local. De origem humilde, Aurelino não possui site, blog, não se autopromove nas redes sociais nem vai a vernissages.
Talvez essa situação seja revista com uma série de documentários sobre artistas primitivos e naifs que está sendo realizado para a TV Cultura. A colecionadora paulista Vilma Eid, da Galeria Estação, que participa do projeto, não poupa elogios ao trabalho de Aurelino.
Para ela, infelizmente, a cultura popular ainda é marginalizada. “Quando se fala nisso, ainda se coloca entre parênteses ou em paralelo à arte erudita, o que é uma lástima. Já está no momento de colocar um ponto final nessa distinção”.
Convidada a colaborar com os documentários que vão destacar 10 artistas brasileiros, Vilma Eid também vai lançar o livro Teimosia da Imaginação em março, com os artistas selecionados, e uma exposição está programada, provavelmente no Instituto Tomie Ohtake.
“O que há em comum entre eles é o fato de não serem artistas eruditos, estarem vivos e terem obras de qualidade”, diz a galerista, para quem o trabalho de Aurelino é de uma “sofisticação incrível”.
Extraordinário “Ele é um artista extraordinário, o que reforça uma teoria que esses artistas fazem seu trabalho por uma necessidade da alma”, diz Vilma. Para artistas assim, ela acrescenta, não existem aspectos mercadológicos, nem o colecionismo nem a necessidade de agradar. “Eles fazem o que querem”, sintetiza.
Os trabalhos do Mestre Aurelino, a propósito, sempre lhe remeteram aos modernistas brasileiros. “Há momentos no trabalho dele que me levam a Tarsila, noutros, a Volpi. Os signos, a geometria, o simbolismo, está tudo ali. É quase uma síntese da arte brasileira do início do século 20 até os anos 1960. É um artista com A maiúsculo e deve ser levado a sério. Não há outra forma de vê-lo”.
Há 25 anos, a Prova do Artista trabalha com Aurelino, tendo promovido exposições, como a de 2008, no Hotel Sofitel Sauipe, e o incluído no livro Artistas da Bahia: + 100 Nomes.
Aurelino também tem obras no Museu Afro-Brasil (SP), no Museu de Arte Popular (RJ), e no Museu Laumier, em St. Louis (EUA). “Trata-se de um artista que evolui e é muito antenado com o que acontece ao seu redor”, atesta a galerista Veranice Gornik, da Prova do Artista.


Marcos Dias




Galeria Estação
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