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30/03/2014 | Revista Carta Capital | Coerência pura - Amadeo Luciano Lorenzato

Obras do mineiro Amadeo Luciano Lorenzato (1900-1995) estarão na Galeria Estação. São 36 pinturas com curadoria do sociólogo Laymert Garcia dos Santos

por Orlando Margarido

Na origem italiana atestada pelo nome e na predileção por pintar paisagens, casarios, naturezas-mortas e retratos, o mineiro Amadeo Luciano Lorenzato (1900-1995) poderia ser afinado aos colegas ítalo-paulistas do Grupo Santa Helena. Mas se há pontos de uma biografia humilde em comum a Volpi ou Rebolo e a percepção de um entorno a influenciá-lo, na preferência pelo ar livre, há todo um repertório temático e preocupações com a técnica, o material e o uso das cores a afastar o artista de seus compatriotas. Tanto mais porque, filho de imigrantes, Lorenzato retorna com a família à Itália nos anos 20, momento de eclosão dos santa-helenistas, e lá tem sua formação acadêmica. A volta ao Brasil o faria uma conjugação rara de operário, como pintor de paredes, e de artista tão admirável quanto distante do grande cenário nacional, contexto que uma mostra na Galeria Estação com 36 de suas pinturas vem delinear.

Na curadoria do professor e sociólogo Laymert Garcia dos Santos, atenta-se a outra aproximação que teimou em grudar ao nome do pintor. O primitivo, ou naïf, é uma qualificação também temerária quando se nota a operação complexa proposta por sua obra, segundo o curador. Autodidata, Lorenzato se entregava a uma “pintura pura”, resultado daquilo que via, do percebido em andanças, esboçado primeiro em desenhos. A elaboração passava ao material adotado no trabalho como operário, as telas que ele mesmo confeccionava e suportes incomuns como pratos ou papelão. Mas marca inequívoca de uma coerência entre os dois ofícios é o pente de metal, comum na pintura de paredes, que produz reentrâncias nas camadas de tinta, tal qual Van
Gogh com seu pincel, lembra Laymert.




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