Notícia

13/09/2013 | Esculturas Antonio de Dedé na Galeria Estação

“No meu trabalho, eu tava descobrindo o ouro”

Com curadoria de Roberta Saraiva, a Galeria Estação apresenta 38 esculturas na individual do artista alagoano Antônio de Dedé (Lagoa da Canoa, AL, 1957) que, em 2012 participou coletiva “Histoires de Voir”, organizada pela Fundação Cartier, em Paris e do projeto Teimosia da Imaginação, – livro, documentário e exposição no Instituto Tomie Ohtake. Autodidata, de Dedé aprendeu a arte observando o pai trabalhar a madeira na carpintaria e diz ter uma relação “transparente com a sua criação”. Segundo ele, a sua habilidade é um dom que surgiu da sua vontade de recriar o trabalho do pai. O resultado deste talento herdado pode ser visto neste conjunto de peças inusitadas, mas que fazem parte da sua realidade, como animais, santos e figuras humanas, com cores e tamanhos variados, de 50 centímetros a 2 metros de altura.
Antônio de Dedé começou a talhar aos 8 anos, criando brinquedos como carrinhos, aviões e peões que vendia pela vizinhança. Na adolescência, a sua obra se desenvolveu quando passou a trabalhar em uma olaria, onde usava o barro para “queimar os bonequinhos junto com as telhas” e, com isso, começaram a surgir patos, bonecos e cavalos modelados, queimados e pintados. “No meu trabalho, eu tava descobrindo o ouro”, conta o artista. Com o tempo, a olaria foi se extinguindo e de Dedé começou a usar a madeira como matéria prima principal para suas esculturas.
Sempre com muita cor, é possível encontrar peças de pequena escala com membros de proporção naturais, no entanto, o trabalho do artista é característico por suas esculturas geralmente verticais, com extremidades comprimidas, nas quais o corpo alongado com pés pequenos e os braços sem fim com mãos encolhidas geram um contraste particular. Para Roberta Saraiva, “as peças ganharam corpo e tamanho e se estabeleceram numa verticalidade de proporções curiosas, de expressão e colorido ricos, que fazem lembrar as carrancas que outrora se erguiam à proa dos barcos do rio São Francisco.” Com dentes, olhos arregalados, bigode, sobrancelha e unhas pintadas, cada detalhe dos personagens esculpidos por de Dedé é extremamente marcado.
A expressividade do entalhe e a dramaticidade de cada peça são características marcantes na obra de Antônio de Dedé. Um trabalho que, segundo a curadora, “se encaixa perfeitamente no conceito de arte popular, sobretudo se essa marca estiver ligada ao sentido da origem rural do artista e de sua magnitude com relação ao mercado da arte – mas também se encaixa em outros rótulos, se observada a complexidade de uma cosmogonia própria em primeiro plano.”


Antônio de Dedé (Lagoa da Canoa, AL, 1957)

Antônio Alves dos Santos, filho de Dedé Lourenço, mora com os 5 filhos em Lagoa da Canoa, a 150 km da capital Alagoana. Começou esculpindo seus brinquedos aos 8 anos e descobriu o barro quando foi trabalhar em uma olaria. Assim como muitos artistas populares, migrou para a madeira por conta da escassez do barro. Seus primeiros trabalhos ainda eram de pequeno porte, lembrando os brinquedos como o Cavalinho de orelhas de couro e o Papagaio de asas cor-de-rosa. Depois vieram as figuras do touro e do tigre, longilíneas e com os membros reduzidos, anunciando a proporção “esticada” dos trabalhos futuros do artista.



Serviço:

Antônio de Dedé - Esculturas

De 13 de setembro a 31 de outubro de 2013

de segunda a sexta, das 11h às 19h

sábados das 11h às 15h

entrada franca.

Galeria Estação

Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros SP

11.3813-7253

http://www.galeriaestacao.com.br



Confira o bate-papo que aconteceu na galeria sobre a exposição:

www.youtube.com/watch?v=AGPtU08UR74




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