Notícia

15/07/2013 | Revista Tam Nas nuvens - Conexão Natureza - In Natura - Julho 2013 | Ano 06 | Nº 67

Desde muito jovem, Cícero Alves dos Santos já era chamado de Véio. Ele ganhou esse apelido ainda criança, aos 5 anos, por gostar de conhecer histórias dos anciãos. Nascido e criado em Nossa Senhora da Glória, no sertão de Sergipe, talvez por isso mesmo enxergue tantas fábulas nos galhos que encontra ao redor: sua matéria -prima é produto direto da natureza. " Comecei a usar madeira porque via muita vegetação destruída, o pessoal não tinha nenhum conhecimento da realidade. Fui aproveitando esse material e dando vida à minha arte", conta o sergipano. Hoje com 66 anos, ele preserva, orgulhoso, um pedaço da reserva florestal em sua propriedade, onde mora com a esposa. É dali que tira o sustento, vivendo em meio a mais de 10 mil obras de arte originais, as quais não vende, empresta ou aluga: "Em meu trabalho eu não coloco etiqueta de preço". Para Véio, existe dois tipos de troncos, os abertos e os fechados. " Se você tem de criar em cima daquela madeira, é árvore 'fechada'. Nas outras, em que a árvore é 'aberta', dá pra explorar o que está pronto ali na natureza ", explica,com simplicidade na fala . Em 2012, foi a Paris ( a primeira internacional ) a convite da renomada Fundação Cartier para contar um pouco sobre sue trabalho e as tradições do sertão nordestino, que lhe são tão caras. "Para mim, a natureza é vida. Eu tinha um patrimônio e me desfiz dele para investir na reserva. Nunca arrecadei 1 centavo de incentivo . Recebo muito mais quando olho para uma árvore centenária com mais de 20 metros, que guarda esse conhecimento hereditário."




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