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25/06/2013 | Arte Um - Terra - Aurelino | pinturas

Com traços geométricos, as pinturas do artista baiano retratam a vida urbana de maneira única.

A Galeria Estação apresenta, do dia 25 de junho a 31 de agosto de 2013, a individual de Aurelino dos Santos (Salvador, BA, 1942), com curadoria de Lorenzo Mammì. São 21 pinturas que expressam a cultura moderna e metropolitana do artista soteropolitano. Suas paisagens surpreendem pela geometria singular de planos, formas e cores. Caminhando pelas ruas dos arredores de Ondina, onde mora, ele recolhe materiais para conceber a sua obra que parece buscar ordenação no caos da vida da cidade grande. Em 2012, o artista participou da exposição coletiva “Histoires de Voir”, organizada pela Fundação Cartier, em Paris.
Com traços geométricos, suas pinturas retratam a vida urbana de maneira única. A partir de triângulos, círculos, formas retangulares, o uso de cores fortes, como roxo, verde limão, rosa, laranja, as telas de Aurelino, como a planaridade da pintura moderna, não trazem a noção de profundidade. “Nessa planaridade reconheceu, de alguma forma, a expressão de um conflito profundo que o ameaçava pessoalmente por perto, e ao mesmo tempo uma maneira, ainda que precária, de estancar a ameaça. Isso o salvou de descambar no decorativo, como muitos artistas, inclusive mais aparelhados culturalmente, fizeram”, afirma o curador.
Os objetos que recolhe em suas andanças, como ripas de madeira ou tampas de lata, servem de base para o aspecto geométrico de seus quadros. “Mas o acaso das proporções denuncia uma urgência de que a geometria, normalmente, não é capaz, diz Mammì. Segundo ele, ainda, “a qualidade dessa pintura está justamente em não esconder o conflito entre a rigidez dos contornos e a animação febril das superfícies, geometria e animismo – ao contrário, em levá-lo a um ponto máximo de tensão.”

Em Salvador, Aurelino frequentou o meio artístico desde a década de 1960, onde conheceu Mario Cravo e Lina Bo Bardi, mas nunca se adaptou e aproveitou muito pouco do que era produzido pelos artistas baianos. Para Mammì, sua produção é dotada de um misto de referências que passam pelo barroco, concretismo e neoconcretismo e se utiliza de uma série de recursos como cores chapadas, colagens, pontilismos e pinceladas fortes. “Os edifícios se esforçam para ganhar vida: às vezes conseguem, e surgem imagens totêmicas; às vezes ficam no meio do caminho, e ficamos na dúvida se enxergamos janelas ou olhos, balaustras ou fileiras de dentes”, completa.

"Com as armas quixotescas de seus gabaritos, Aurelino enfrenta todo dia seus moinhos de vento. Não os vence, mas por enquanto não deixou que invadissem o mundo. O plano do quadro é onde as coisas surgem e se amontoam, mas é também onde podem ser retidas. Talvez isso diga algo sobre geometria e planaridade que ainda não foi dito. Pelo menos, não desse jeito.", conclui Mammì.

Serviço:

Aurelino - Pinturas

Abertura: 25 de junho, às 19h (convidados)

Até 31 de agosto de 2013, de segunda a sexta, das 11h às 19h, sábados das 11h às 15h - entrada franca.

Galeria Estação

Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros SP

11.3813-7253




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