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27/06/2013 | DasArtes.com | Pinturas de Aurelino dos Santos

Com curadoria de Lorenzo Mammì, a Galeria Estação apresenta a individual de Aurelino dos Santos (Salvador, BA, 1942), com 21 pinturas que expressam a cultura moderna e metropolitana do artista soteropolitano. Suas paisagens surpreendem pela geometria singular de planos, formas e cores. Caminhando pelas ruas dos arredores de Ondina, onde mora, ele recolhe materiais para conceber a sua obra que parece buscar ordenação no caos da vida da cidade grande.

Com traços geométricos, suas pinturas retratam a vida urbana de maneira única. A partir de triângulos, círculos, formas retangulares, o uso de cores fortes, como roxo, verde limão, rosa, laranja, as telas de Aurelino, como a planaridade da pintura moderna, não trazem a noção de profundidade. “Nessa planaridade reconheceu, de alguma forma, a expressão de um conflito profundo que o ameaçava pessoalmente por perto, e ao mesmo tempo uma maneira, ainda que precária, de estancar a ameaça. Isso o salvou de descambar no decorativo, como muitos artistas, inclusive mais aparelhados culturalmente, fizeram”, afirma o curador.

Os objetos que recolhe em suas andanças, como ripas de madeira ou tampas de lata, servem de base para o aspecto geométrico de seus quadros. “Mas o acaso das proporções denuncia uma urgência de que a geometria, normalmente, não é capaz, diz Mammì. Segundo ele, ainda, “a qualidade dessa pintura está justamente em não esconder o conflito entre a rigidez dos contornos e a animação febril das superfícies, geometria e animismo – ao contrário, em levá-lo a um ponto máximo de tensão.”

Em Salvador, Aurelino frequentou o meio artístico desde a década de 1960, onde conheceu Mario Cravo e Lina Bo Bardi, mas nunca se adaptou e aproveitou muito pouco do que era produzido pelos artistas baianos. Para Mammì, sua produção é dotada de um misto de referências que passam pelo barroco, concretismo e neoconcretismo e se utiliza de uma série de recursos como cores chapadas, colagens, pontilhismos e pinceladas fortes. “Os edifícios se esforçam para ganhar vida: às vezes conseguem, e surgem imagens totêmicas; às vezes ficam no meio do caminho, e ficamos na dúvida se enxergamos janelas ou olhos, balaustras ou fileiras de dentes”, completa.

Até 31 de agosto de 2013, de segunda a sexta, das 11h às 19h, sábados das 11h às 15h – entrada franca.

Galeria Estação (Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros SP | 11.3813-7253)





Galeria Estação
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