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21/06/2013 | BlouinArtinfo | Aurelino | pinturas

Pinturas de Aurelino dos Santos, pintor enigmático de Salvador, expostas na Galeria Estação

por Juliana Arruda

Publicado: 21 Junho 2013
Com curadoria de Lorenzo Mammì, a Galeria Estação, em São Paulo, apresenta na próxima terça-feira, 25, a individual de Aurelino dos Santos (Salvador, BA, 1942), pintor enigmático que iniciou e desenvolveu sua arte de maneira intuitiva e sem qualquer formação artística oficial.

As 21 pinturas que expressam a cultura moderna e metropolitana do artista soteropolitano têm paisagens que surpreendem pela geometria singular de planos, formas e cores. Com traços geométricos, suas pinturas retratam a vida urbana de maneira única. A partir de triângulos, círculos e formas retangulares e do uso de cores fortes, como roxo, verde limão, rosa e laranja, as telas de Aurelino não trazem a noção de profundidade. “Nessa planaridade reconheceu, de alguma forma, a expressão de um conflito profundo que o ameaçava pessoalmente por perto e, ao mesmo tempo, uma maneira, ainda que precária, de estancar a ameaça. Isso o salvou de descambar no decorativo, como muitos artistas, inclusive mais aparelhados culturalmente, fizeram”, afirma o curador.

Os suportes usado pelo artista também são inusitados. Pelas ruas dos arredores de Ondina, onde mora, Aurelino recolhe materiais com os quais desenvolve suas obras, que parecem buscar ordem no caos da vida da cidade grande. São ripas de madeira ou tampas de lata que servem de base para o aspecto geométrico de seus quadros. “Mas o acaso das proporções denuncia uma urgência de que a geometria, normalmente, não é capaz”, diz Mammì.

Segundo ele, ainda, a qualidade dessa pintura está justamente em não esconder o conflito entre a rigidez dos contornos e a animação febril das superfícies, geometria e animismo – ao contrário, em levá-lo a um ponto máximo de tensão.

Em Salvador, Aurelino frequentou o meio artístico desde a década de 1960, onde conheceu Mario Cravo e Lina Bo Bardi, mas nunca se adaptou e aproveitou muito pouco do que era produzido pelos artistas baianos. Para o curador, sua produção é dotada de um misto de referências que passam pelo barroco, concretismo e neoconcretismo, e se utiliza de uma série de recursos como cores chapadas, colagens, pontilismos e pinceladas fortes. “Os edifícios se esforçam para ganhar vida: às vezes conseguem, e surgem imagens totêmicas. Às vezes ficam no meio do caminho, e ficamos na dúvida se enxergamos janelas ou olhos, balaustras ou fileiras de dentes”, completa Mammì. Serviço: Aurelino - Pinturas, na Galeria Estação Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros SP Permanece em cartaz até 31 de agosto De segunda a sexta-feira, das 11h às 19h; sábados das 11h às 15h Entrada franca

www.galeriaestacao.com.br




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