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16/04/2013 | Metro News | 15 de abril de 2013 - Galeria expõe 25 esculturas de Zé do Chalé


Com curadoria de Cauê Alves, a Galeria Estação, com o apoio da Galeria Karandash, de Maceió, traz para São Paulo as raras obras do escultor Zé do Chalé (Neópolis-SE, 1902/Aracaju-SE, 2008). As 25 esculturas de madeira, ou troféus, como o próprio artista as chamava, trazem um panorama de sua produção, grande parte formada por miniaturas e frontões de igrejas e capelas, com símbolos como cruzes, estrelas, sol, lua, pássaros e coração, entre outros. As obras podem ser visitadas na Rua Ferreira de Araújo, 625, Pinheiros (3813-7253), a partir de amanhã. Ficarão expostas de segunda a sexta, das 11h às 19h, e aos sábados, das 11h às 15h, com entrada gratuita.
Segundo Cauê Alves, curador da mostra, com as tradições modernas cada vez mais presentes na arte contemporânea, a fronteira entre o erudito e o popular torna-se tênue e cada vez menos marcante. “Zé do Chalé também pode ser compreendido como um artista contemporâneo, no sentido temporal do termo e também devido à sua atuação livre de amarras com a tradição”, afirma.
Autodidata, Zé do Chalé afirmava que a sua criação era divina e que Deus lhe havia dado o dom e a incumbência de esculpir. Segundo o artista, as imagens vinham de sua cabeça, de sonhos: “A minha inspiração vem do cérebro. [...] Eu faço tudo sem desenhar, está tudo na minha cabeça. O meu juízo é dado por Deus”, afirmava o artista. “Sua religiosidade estava atravessada por um sincretismo das tradições e simbologias indígenas e católicas, numa mescla incrível entre o sagrado e o profano”, diz o curador.

Formatos verticais e pontas finas

Outro traço marcante é o formato predominantemente vertical das esculturas de Zé do Chalé, geralmente culminando em pontas finas, altas e esguias. De maneira singular, ele criava essas esculturas a partir dos espaços vazios, método usual entre alguns escultores. A força da sua obra está na elaboração e inventividade das peças, como as correntes feitas a partir de um tronco sem emendas.
O curador da exposição, Cauê Alves, vê na produção do artista um isolamento devido a uma circunstância histórica e de vida, além da forte presença do catolicismo. “Não existe nenhuma ligação direta com a tradição oriental, nem tampouco nota-se contato com a arte experimental dos anos 1960”, diz. Ainda segundo o curador, a obra de Zé do Chalé traz a harmonização da herança ancestral indígena e a modernidade da vida urbana.

Autodidata, começou a esculpir com 89 anos

José Candido dos Santos nasceu em Neópolis, Sergipe, e era de origem indígena Xocó, da Ilha de São Pedro, do mesmo Estado. Ele sempre cultivou um forte vínculo com a comunidade do Rio São Francisco, que visitava anualmente e onde trabalhou quando jovem como carpinteiro. O apelido é devido ao seu vasto trabalho como mestre de obras. Zé era autodidata e começou a esculpir aos 89 anos, quando se aposentou da construção civil, mas ainda tinha saúde e lucidez. Descoberto por acaso pelo fotógrafo Celso Brandão, Zé esculpiu até sua morte, em 2008, aos 105 anos, deixando uma pequena, mas expressiva produção de esculturas.




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