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06/11/2012 | Revista Das Artes | Gilvan Samico - Por Diana Tubenchlak

Por Diana Tubenchlak

Seres humanos, animais e elementos do reino vegetal encontram-se nas xilogravuras de Gilvan Samico. O gravador pernambucano transita pelo universo dos seres fantásticos e cria cenas originárias de narrativas populares, bíblicas, entre outras, conciliando seres reais e imaginários. Considerado um dos mais importantes gravadores brasileiros, Samico foi aluno de Oswaldo Goeldi e Lívio Abramo, representante das artes visuais do Movimento Armorial – corrente liderada por Ariano Suassuna na década de 1970, que instigava a criação das diversas linguagens artísticas a partir de elementos da cultura popular.
Seu trabalho parte da ação escultórica; com minúcia e delicadeza entalha as grandes matrizes de madeira, boa parte com quase um metro de comprimento; usa diferentes goivas para achar texturas ideais. São as entradas na superfície da peça de madeira que abrem os espaços e formam uma espécie de janela para outra realidade, porém, sempre mantendo a bidimensionalidade formal.
O uso da cor nas impressões é outro marco importante em suas xilogravuras, apesar da predominância do preto. Samico cria surpreendentes entradas de cores e faz todo o processo de forma manual, por isso o curador Weydson Barros Leal prefere chamá-las “exemplares” em vez de “cópias”. Segundo Leal, Samico acredita que “cada gravura impressa é em si mesma original, e se um detalhe de impressão a difere das demais – desde que não a prejudique -, antes de simplesmente distingui-la, enriquece-a, tornando único este exemplar (...)”.
Todo esse processo tão detalhado leva o artista a produzir uma ou no máximo duas matrizes por ano e ultimamente vem imprimindo 120 “exemplares” de cada uma delas.
Samico, que vive e trabalha em Olinda, esteve em São Paulo para a abertura de sua individual e o lançamento do seu livro, com prefácio de Ariano Suassuna e texto do crítico Weydson Barros Leal, da editora Bem-Te-Vi.




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