Notícia

05/04/2011 | Um curioso resgate da Fotopintura nordestina

Mostra reúne 150 retratos colecionados por sociólogo

Tradição quase que extinta, a fotopintura vai perdendo seu terreno para a facilidade da fotografia digital. Muito produzida no Nordeste, guarda em si, quando realizada, a vontade de parentes terem consigo a memória afetiva de entes que haviam morrido. Por exemplo, como conta o curador Eder Chiodetto, pessoas mais pobres, que tinham apenas um retrato 3x4 de si, entregavam essas pequenas fotografias ao fotopintor para que ele os reunisse em uma composição fotográfica e pintada num casal, numa família, etc. Espécie de "magia", diz Chiodetto, a fotopintura sempre foi encarada como um ofício, não como arte.
Por isso, é curioso ver agora um conjunto de 150 fotopinturas como o que está na mostra que a Galeria Estação inaugura hoje para convidados e amanhã para o público, com curadoria de Chiodetto, apresenta obras selecionadas da coleção do sociólogo alemão Titus Riedl. Vivendo em Crato, no Ceará, há 16 anos, Titus Riedl adquiriu acervo de 5 mil fotopinturas produzidas no Nordeste, entre as décadas de 1950 e 1990. A mostra, assim, resgata uma prática popular e anônuma que vai ficando na história.

Dignidade

A fotopintura era, muitas vezes, uma composição de caráter criativo. "O fotopintor dava o ar de dignidade aos retratados, colocando terno e gravata nos homens e vestidos de flores e joias nas mulheres", afirma o curador da exposição. "Tinha um caráter afetivo e de elevação da autoestima; era um retrato idealizado, como é qualquer pintura que vemos hoje nos museus", continua Chiodetto.
Riedl criou sua coleção por causa de sua tese de mestrado "Últimas lembranças: retratos da morte no Cariri, região do nordeste brasileiro". O estudo, assim, destaca a fotopintura, mas, como diz o curador, revela "a fisionomia do homem nordestino". Para a montagem da mostra, Chiodetto afirma ter escolhido dar às obras caráter museológico - as fotopinturas, pequenas (a maioria de 19 cm x 24 cm e apenas uma de 30 cm x 40 cm) ganharam molduras assépticas para que o foco se torne cada trabalho.




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