Exposições na Galeria

Um certo olhar - Coleção Celma Albuquerque | de 30/08/2016 a 15/10/2016

Catálogo virtual em PDF: baixar

Ampliar texto

Apresentação

 

Ampliar texto

Curador

CELMA ALBUQUERQUE - UM CERTO OLHAR

“Neste momento de inauguração tenho que olhar para trás, por um instante, e ver que foi um longo caminho percorrido até a abertura desta galeria. Posso dizer que tudo começou aos 11 anos de idade, quando saí da fazenda, como era costume na época, para estudar num colégio de freiras. A arte era levada a sério no currículo daquela escola, e eu, muitas vezes, dava um jeito de ser mandada para a biblioteca, onde ficava horas e horas folheando os livros de arte. Recusada no coral da escola por ser totalmente desafinada, procurei compensar isso, destacando-me no teatro amador e nas aulas de desenho e pintura.


Em 1964 vim para Belo Horizonte disposta a estudar arte dramática. Devido às dificuldades que passávamos todos, naquele momento político e histórico conturbado, optei pelas artes plásticas. Cheguei – o que pouca gente sabe – a viver da minha pintura. Porém meu senso crítico falou mais alto e acabei trocando a minha arte pela de quem fazia melhor do que eu. Foi então que abri a Chromos, nos anos 80. A partir daí minha vida se tornou um eterno aprendizado: viagens, visitas a museus, galerias, ateliês e exposições, conversas com artistas e críticos, livros e mais livros (outra paixão).


Mesmo com todo o sucesso que obtivemos ali não me saía da cabeça a ideia de construir a galeria dos meus sonhos. Este novo espaço é a soma de tudo isso; minhas experiências profissionais e de vida. É a realização de um sonho, que só será pleno se for bem usado em prol da arte e da cultura da nossa terra. Quero dar a Belo Horizonte um espaço à altura da cidade...”


Celma Albuquerque


 


O texto acima é parte daquele que ela escreveu para o catálogo de inauguração da nova galeria, dessa vez com o nome Celma Albuquerque, em 1998. A exposição inaugural foi uma coletiva com obras dos artistas Antonio Dias, Iole de Freitas, José Bento e Fabio Miguez. Aí ela já deixou claro a que veio. Sua intenção era mostrar o que havia de melhor na produção contemporânea brasileira.


Iberê Camargo, Eduardo Sued, Waltercio Caldas, entre outros, fazem parte de coleções mineiras direcionadas por Celma. José Bento talvez seja o exemplo que melhor demonstre a força de trabalho da Celma. Artista mineiro de renome nacional, teve sua carreira do lançamento ao ápice cuidada por ela.


Os filhos Flavia e Lucio Albuquerque, sócios da galeria, aprenderam e dão continuidade ao trabalho iniciado por ela.


O que nos aproximou, no final dos anos 80, quando a conheci na Chromos, foi sua paixão pela arte. Ela não fazia distinção entre o que é conhecido como arte popular e a arte contemporânea. Entre Amilcar de Castro, Iberê Camargo, Farnese e tantos outros, deparei com muitos Artur Pereira, vários Itamar Julião, Nino, Poteiro, Lorenzato (vi com ela pela primeira vez obras do pintor), GTO, Izabel Mendes da Cunha e toda uma produção dos artistas espontâneos brasileiros.


Os mineiros ela visitava com bastante frequência. Conheceu todos e deles comprou diretamente as obras que formaram a sua coleção. Ia a Cachoeira do Brumado, era benquista e bem recebida por Seu Artur e sua mulher. Ouvia as histórias que ele tinha pra contar, tomava café, criando uma relação de amizade e confiança. Seu Artur sabia que Celma viria e guardava peças pra ela. Ela, por outro lado, sabia que se demorasse a aparecer provavelmente perderia as obras.


Não foi só com o Seu Artur que a relação foi construída durante muitos anos. Itamar Julião, em Prados, festejava a sua chegada. Para ela o momento da morte dele, tão prematura, foi de tristeza e indignação. Ele, que já tinha a sua “clientela” e consequentemente algum dinheiro, começou a ser alimentado pelos vendedores de droga... triste fim.


A seleção das obras feita por mim e pela Germana Monte-Mór para esta exposição mostra exclusivamente o olhar de Celma para a produção de alguns artistas: Artur Pereira; Farnese; Itamar Julião; Maurino; Lorenzato; Poteiro; e vários outros. A coleção é enorme. Uma boa parte dela tive, há alguns anos, o privilégio de adquirir.


Um mês antes da sua morte, Celma me chamou. Peguei um avião, cheguei e fui diretamente ao seu apartamento. Senti-me emocionada! Ela queria que fizéssemos juntas, e em São Paulo, a mostra que agora se concretiza. Não deu tempo...


Com o falecimento dela, em dezembro de 2015, fui procurada pela Flavia e pelo Lucio, que puseram em minhas mãos esses tesouros. Considero esse um ato de generosidade da parte deles. A credibilidade da Celma, seu trabalho em prol da arte brasileira e, aqui, um recorte da sua coleção sem dúvida permitirão que muitos tenham acesso às obras que ela guardou e entendam melhor o seu olhar.


Agradeço aos filhos a amizade e a confiança que depositaram em mim.


À querida Celma, minha gratidão por ter me ensinado a ser mais exigente e criteriosa. Ela foi para mim uma verdadeira mestra.

Vilma Eid 


Ampliar texto

Release

GALERIA ESTAÇÃO APRESENTA


Um certo olhar – Coleção Celma Albuquerque?
Abertura: 30 de agosto, às 19h – Até 15 de outubro de 2016 ?


Individual de Santídio Pereira ??
Abertura: 30 de agosto, às 19h – Até 24 de setembro de 2016 ? ?


Paralelamente à 32° Bienal de São Paulo, a Galeria Estação homenageia a galerista mineira Celma Albuquerque, morta em 2015, e exibe a primeira individual do jovem Santídio Pereira. 


A exposição Um Certo olhar é um recorte da coleção particular construída por Celma Albuquerque reunindo 40 trabalhos de nove artistas afinados com o elenco da Galeria Estação. Este acervo privado revela o olhar de uma galerista que mesmo levando para seu espaço em Belo Horizonte nomes como Iberê Camargo, Nelson Felix, Antonio Dias, José Bento e muitos outros, nunca diferenciou a produção dita erudita da então chamada popular. Uma linguagem que, só agora, vem sendo devidamente discutida e inserida por pensadores e críticos no mesmo circuito da arte contemporânea.  


Com curadoria de Vilma Eid e Germana Monte-Mor, a mostra traz obras exclusivamente observadas pelo crivo sensível de Celma Albuquerque: Itamar Julião (Prados, MG, 1959 – Prados, MG, 2004), Artur Pereira (Cachoeira do Brumado, MG 1920 - Mariana, MG, 2003), Mauricio Silva (1960, Recife, PE), Maurino (1943, Rio Casaca, MG), Amadeo Luciano Lorenzato (1900, BH, MG – 1995, BH, MG), Farnese de Andrade  (1926, Araguari, MG  –  1996, RJ, RJ), Jadir João Egídio (1933,  Divinópolis, MG), Antonio Poteiro (1925, Santa Cristina da Posse, Braga, Portugal – 2010, Goiânia, GO)  e G.T.O. – Geraldo Teles de Oliveira (1913, Itapecerica, MG – 1990, Divinópolis, MG).


Em outro andar da Galeria Estação, com curadoria de Rodrigo Naves, serão apresentados trabalhos do jovem gravurista Santídio Pereira (SP, 1996). Esta é a primeira exposição individual do garoto que aos 9 anos já brincava de desenhar e pintar. As paredes de madeira da casa precária que divide com a mãe na Favela do 9, na região do Ceasa, ainda têm os seus desenhos. Aos 14 anos começou a gravar sob orientação de Fabrício Lopez e Flávio Castellan, que ensinam no Instituto Acaia, ONG que desenvolve trabalho na região do Ceasa, em São Paulo.


Para o curador, a presença de cores merece destaque na produção de Santídio. “Ele as utiliza produzindo séries em que, com um mesmo desenho, tira gravuras em que varia as cores (sobrepondo ao negro uma ou mais cores), em trabalhos que contam apenas com a presença de cores (sem a presença do negro) ou em gravuras cujas figuras são delineadas em preto, mas recebem manchas de cor que modificam a percepção que temos delas”, explica Naves. Já as xilos em preto e branco, segundo o curador, ainda guardam a lembrança do aprendizado e revelam uma aspereza de que ele sabe tirar partido ao em vez de tentar imitar pequenos detalhes de uma folhagem, ele se aproveita das irregularidades da madeira rachada. 


Naves aponta também que, no geral, sobressai na poética do jovem artista a busca de formas em que a alegria troca frequentemente de posição com imagens mais secas, em que cores luminosas se veem turvadas pelos negros. “Espero que esse dualismo consiga se firmar e se fortalecer em suas gravuras, já que é justamente essa experiência híbrida – feita de momentos de leveza e de desolação – que dá o tom da existência contemporânea”, completa.


 


Sobre a Galeria Estação


Fundada em 2004, a Galeria Estação é o espaço do imaginário do povo brasileiro. Com um acervo entre os mais importantes do País, em exposição permanente, o espaço é um modelo inédito de exibir e promover a produção de raiz que emerge do povo brasileiro. Esculturas, gravuras, pinturas e objetos, tudo passa pelo crivo de Vilma Eid, proprietária da coleção, estudiosa e apaixonada pela arte que brota da cultura chamada popular. Foi ela que estimulou críticos, historiadores e artistas a pensar nesta linguagem como parte da arte contemporânea. Assim vem realizando exposições que têm como curadores, Rodrigo Naves, Lorenzo Mammí, Paulo Pasta, Marco Gianotti, entre outros. Costuma viajar pelo Brasil para identificar e reunir preciosidades de autorias já reconhecidas ou novos talentos. Além de realizar exposições, conta com um acervo aberto à visitação, reunindo nomes como os lendários G.T.O., Chico Tabibuia, Nuca de Tracunhaém, Artur Pereira, Alcides, Louco, Vidal, Mestre Galdino, Mestre Guarany, Mestre Vitalino, José Antonio da Silva, Samico, Agostinho Batista de Freitas, Miriam, Maria Auxiliadora, entre muitos outros. Localizada em Pinheiros, a Galeria Estação se tornou o lugar para se conhecer o que de melhor é concebido pela imaginação do povo de várias regiões brasileiras.


 


Serviço:


Um certo olhar – coleção Celma Albuquerque


Curadoria: Vilma Eid e Germana Monte-Mor


Abertura: 30 de agosto, às 19h (convidados)


Período da exposição: De 31 de agosto a 15 de outubro de 2016, de segunda a sexta, das 11h às 19h, sábados das 11h às 15h - entrada franca.


 


Galeria Estação


Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros SP


Fone: 11.3813-7253


 


Informações à Imprensa


Pool de Comunicação – Marcy Junqueira


Atendimento: Martim Pelisson e Luana Ferrari


Fone: 11.3032-1599


marcy@pooldecomunicacao.com.br / martim@pooldecomunicacao.com.br / luana@pooldecomunicacao.com.br

}






Galeria Estação
Instagram