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Janete Costa: Um Olhar | de 16/12/2012 a 31/03/2013


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Apresentação

São Paulo, dezembro de 2012

Janete Costa, eu e a arte popular

Nós sempre formamos um triângulo amoroso. Janete e eu nos conhecemos porque nas nossas vidas havia essa grande paixão – a arte da nossa gente. Ela soube da minha coleção e pediu para conhecê-la nos anos 90. Sua admiração tornou-se mais um incentivo para mim. Ela conhecia todos os artistas, e a nossa conversa fluía tão deliciosamente que nunca mais nos largamos.

Foram muitas as mostras curadas por ela. Tantas e tão belas que sempre que ela requisitava obras do meu acervo eu as cedia com prazer e orgulho. Um dos traços marcantes da Janete era a generosidade. Ela dizia a todas as pessoas que a minha coleção era a maior e a melhor! Com ela as esculturas do Nuca, da dona Izabel, do Ulisses, do Artur Pereira, GTO, Chico Tabibuia, Nino e tantos outros viajaram felizes pelo Brasil e mundo afora. Ela nos mostrou e ao mundo as nossas raízes. Mostrou que a arte do nosso povo, daqueles que criam a partir da necessidade da alma sem olhar nem para as criticas nem, menos ainda, para o mercado, são únicas porque são autorais. Olhando para vários outros países reconhecemos as origens étnicas nas obras. Por isso nos diferenciamos.

Foi com paixão, competência e gosto incomum que Janete foi a primeira arquiteta de interiores a usar em residências, hotéis e locais públicos o que até aquele momento não era considerado “chique”. Esculturas em madeira, em barro colocadas lado a lado com o trabalho de artistas contemporâneos, a maioria deles desconhecida até então. Ela mostrou uma geração de jovens artistas nordestinos que depois ganharam o reconhecimento das galerias e do gosto dos arquitetos do Sul.

A iniciativa da criação do Museu Janete Costa de Arte Popular pela prefeitura de Niterói significa o reconhecimento do trabalho da Janete em todas as instâncias nacionais. Nessa cidade ela construiu uma empresa, trabalhou, e ainda hoje ali vive parte da sua família. Ela era natural de Garanhuns, Pernambuco, mas por onde passou provocou mudanças que alteraram para melhor a vida de muita gente.

Quando Mario, seu filho e meu amigo, me procurou pedindo emprestadas várias obras para a exposição inaugural do museu, tanto do meu acervo particular quanto da Galeria Estação em São Paulo, criada e dirigida por mim e por meu filho Roberto Eid Philipp, foi uma grande alegria! Revivi momentos excitantes quando Janete e eu conversávamos sobre quais artistas e quais obras deveriam ser selecionadas.

Foi um presente e um grande privilégio ter convivido com essa mulher que deixou por todos os lugares um rastro de generosidade, paixão e sabedoria de vida.

Parabéns à cidade de Niterói, que agora, através do Museu Janete Costa de Arte Popular, conhecerá e reconhecerá um pouco melhor a arte e a cultura da nossa gente, a gente brasileira.

Vilma Eid





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