Artista

J. Borges

J. Borges
Astros e Signos
Cantores de Viola
S/T
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Biografia

J. Borges
[José Francisco Borges]
1935, Bezerros – PE

Filho de agricultores, nasceu no sítio Riachão das Torres. Jota Borges, como é chamado, trabalha na roça desde os oito anos. Exerceu os ofícios de criador de cabras, marceneiro, pedreiro, carpinteiro, balconista, oleiro, fabricante de colheres de pau e brinquedos antes de ter contato com a poesia de bancada. Foi autor de textos, gravador, impressor, editor e cantador de folhetos em feiras. Esteve por pouco tempo na escola, que deixou aos 12 anos de idades. Aos 20 anos, comprou exemplares de folhetos para revender na feira de Bezerros. Em 1963 trocou uma bicicleta velha por um alto-falante para se tornar folheteiro, voltando ainda algum dinheiro no negócio. E em 1965, aos 30 anos de idade, publicou o primeiro folheto: “O encontro de Dois Vaqueiros numa Vaquejada”, impresso na Tipografia São Joaquim e capa de Dila. Com o tempo, passou a fazer suas próprias xilos de capa, depois que a primeira experiência num suporte de jenipapo deu certo. Hoje, J. Borges tem mais de 200 títulos publicados. A partir dos anos 1960, ele se deu conta, como também outros poetas desdobrados em gravadores, de que havia um mercado para gravura de formatos maiores que aquelas feitas para a capa dos pequenos folhetos de 11 cm x 16 cm. J. Borges tem um extraordinário sentido da composição, equilibrando cheios e vazios com maestria. Seu extraordinário dom para o desenho animalista fica patente, por exemplo, no livro “No tempo em que os Bichos Falavam”, editado pela Casa das Crianças de Olinda nos anos 1980. Jota Borges construiu, em Bezerros, a Casa de Cultura Serra Negra para valorizar a cultura popular da região, onde fica também seu ateliê de trabalho. Seu irmão, Amaro Francisco, e seu primo Joel Borges, são também xilógrafos. Conhecido nacionalmente, a partir dos anos 1980 começa a ser solicitado para expor e vender seu trabalho no exterior. Nos anos 1990 disse a seu respeito Marion Oettinger, diretora do Centro Nelson A. Rockefeller para a Arte Latino-americana: “baixa tecnologia sempre produz resultados muito poderosos, tocantes e sofisticados (quando há talento, claro)”, referindo-se à simples faca e à base de madeira com que Borges realiza seu maravilhoso imaginário. Também Bárbara Mauldin, curadora do Santa Fé, Estados Unidos, declara que “seu senso de composição é soberbo, e suas imagens são ousadas, com uma narrativa informativa, e uma visão que é humorística e alegre”. Jota Borges já expôs no Grand Palais (1987), Paris, no quadro da mostra “Brésil, Arts Populaires”, e, nos anos 1990 e virada do século, na Smithsonian e no Japão. Ganha uma liberdade cada vez maior nos seus meios expressivos, introduzindo cores nas xilos e mesmo experimentando o mármore como base para seu desenho. Sua obra integra o calendário da United Nations Framework Convention on Climat Change, órgão das Nações Unidas.

Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005




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