Artista

Maria Auxiliadora

Maria Auxiliadora
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Biografia

Maria Auxiliadora
[Maria Auxiliadora Silva]
1935, Campo Belo - MG / 1974, São Paulo - SP

Indo com os pais e os irmãos para a cidade de São Paulo, Maria Auxiliadora parou de estudar aos 12 anos para ajudar a família, trabalhando como empregada doméstica e bordadeira.
Aos 14 anos Maria Auxiliadora começou a desenhar com carvão. Passou logo para o guache, e só aos 26 anos experimentou a tinta a óleo. A própria Maria Auxiliadora, em depoimento para “Mitopoética de nove artistas brasileiros” (1975), em que escrevi o primeiro ensaio sobre o seu trabalho, define seu percurso técnico: “Meus primeiros óleos, em 1968, eram chapados, sem relevo. Mas no fim desse ano eu comecei a fazer relevo com cabelo. Primeiro usando o próprio óleo para fixar, porque nessa época eu não conhecia ainda a massa da Wanda. Pegava a tinta bem grossa e imprimia o cabelo no meio da tinta. Eu pegava cabelo natural, muitas vezes o meu mesmo, pois muitas vezes eu pinto crioulos. Tive essa idéia quando estava pintando um quadro grande de candomblé, em 1968.”
Maria Auxiliadora já apontava nessa fala para a construção do trabalho híbrido entre a pintura e o alto relevo que caracterizá a sua expressão visual, em que muitos viram uma manifestação fronteiriça da pop art. No final dos anos 1960 e na década de 1970, ela utiliza muitas vezes diálogos escritos, saindo da boca dos personagens, à maneira das histórias em quadrinhos.
O relevo pronunciado dos órgãos genitais femininos, além de obviamente sublinhar a representação da sexualidade, rente a raras mas existente iconografias de orixás como Iemanjá, que indicam fertilidade. Esta associação é feita pelo contexto social mostrado pela pintura urbana de Maria Auxiliadora. Os temas religiosos são representados em sua obra com intensidade e frequência iguais aos amorosos, que descrevem através de grande vibração erótica o seu estar no mundo. Nascida em Minas Gerais, indo para São Paulo com três anos de idade, Auxiliadora manteve, certamente avivada pelos relatos da mãe, uma memória nostálgica da vida rural, que ela também retratou não poucas vezes.
No entanto, os temas de candomblé, de casa de caboclo, de cenas dionisíacas de danças, festas, carnavais, amores, possessão de orixás serão os que mais espontaneamente afloram na superfície erodida, vulcânica, da sua pintura. A arte de Maria Auxiliadora tem ainda uma trilha auto-biográfica interessantíssima: ela se retrata entre familiares, em festas, como pintora diante do cavalete cercada de anjos inspiradores. Ou em prantos, a partir do momento difícil em que recebe a notícia de que possui uma doença sem cura, causa da sua morte antes de completar os 40 anos de idade.
Em seus últimos sete anos de vida acontecerá o reconhecimento nacional e internacional da artista.

Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS E COLETIVAS SELECIONADAS

2016 Histórias da Infância, MASP, São Paulo | SP
2015 Acervo em Transformação, MASP, São Paulo | SP

PUBLICAÇÕES SELECIONADAS

2015 Concreto e cristal: o acervo do MASP nos cavaletes de Lina Bo Bardi / organização Adriano Pedrosa, Luiza Proença. 1ª edição - Rio de Janeiro: Cobogó; São Paulo: MASP.

Imprensa

O Estado de São Paulo

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