Artista

Manuel Graciano

Manoel Graciano
Reisado
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Biografia

Manuel Graciano
[Manuel Graciano Cardoso]
1923-2014 Santana do Cariri – CE

Migrou com a família para Juazeiro do Norte (CE) em 1929. Começou a trabalhar a madeira aos 10 anos, “aprendendo com a natureza” a fazer pilões, gamelas e brinquedos, que vendia para outras crianças. Casado e com três filhos, passou a produzir ex-votos e presépios. Trabalhou na roça por vários anos, até ser revelado pelo xilógrafo e cordelista Abraão Bezerra Batista.
No entanto, apesar da boa aceitação do seu trabalho, não deixa a terra que arrendou a uma légua e meia da sua casa, plantando feijão e milho “para o gasto”. Sua escultura em madeira vai ganhando em pouco tempo a liberdade da forma própria, autoral. Manuel Graciano compõe grupos com vários personagens que formam um verdadeiro conjunto escultórico, com a possibilidade de permutação das figuras. É parcimonioso nas cores, que integra com grande domínio à forma esculpida. No seu “Presépio”, tons de terra, verdes e rosa predominam com pequena, mas segura, inclusão do azul nos trajes dos anjos.
Graciano tem um veio de humor que pode crescer até o mais flamejante expressionismo em muitos de seus trabalhos. Neste presépio o humor está na representação do Menino Jesus já crescido, possivelmente vestido com roupa de jogador de futebol, outra representação constante de Graciano, que esculpe times inteiros na madeira. O seu apuro total se patenteia igualmente no maravilhoso reisado com predomínio do azul, em que os dez integrantes do grupo escultórico móvel recebem um complemento dosado de verdes e toques de vermelho ns pintura das figuras, cujas roupas têm sempre um debruado pontilhado de branco. Manuel Graciano prepara suas cores com anilina misturada a breu e álcool, antes de aplicá-las à imburana de cambão que esculpe.
Quando parte para composições talhadas em monobloco de madeira, prefere as formas animais à figura humana, pintando-as com pinceladas diferenciadas, sempre com harmonia tonal apurada. Francisco Graciano Cardoso (1966) e o neto Francisco Edinaldo dão continuidade a seu trabalho.
Participou da exposição “Brésil, Arts Populaires” (Grand Palais, 1987) da “Mostra do Redescobrimento” (Fundação Bienal de São Paulo, 2000), e seu trabalho consta do acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro, Rio de Janeiro, e da exposição de arte popular do Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, Paraíba.

Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005




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