Artista

Fernando da Ilha do Ferro

Fernando da Ilha de Ferro
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Sirion
Cadeira

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Biografia

Fernando da Ilha do Ferro
[Fernando Rodrigues dos Santos]
1928 / 2009, Ilha do Ferro - AL

Nasceu na casa mais antiga da Ilha do Ferro. Foi à escola, disse em depoimento a Celso Brandão, mas nunca aprendeu a escrever o nome, embora dissesse entender as inscrições rupestres presentes na região. Na primeira mocidade trabalhou em roça, plantando arroz, milho, feijão. Personagem provocador, na vida como nas artes, tem um livro, ditado e transcrito, de estórias picarescas, lembranças de caçadas e malandragem. Filho de fabricante de tamancos, iniciou-se nas artes produzindo pequenos objetos na oficina do pai. Aos 40 anos construiu sua primeira peça do mobiliário: uma espreguiçadeira. Nos anos 1970 retoma a profissão do pai, redesenhando os tamancos originais.
Em 1979 uma viagem ao Rio de Janeiro influirá também no seu percurso de inventor, pois já em 1980, de volta à casa, parte pra novas propostas, construindo o Bar Redondo, cujas mesas e bancos escultóricos deram início à sua carreira de escultor e designer de móveis. Bancos de sua autoria foram expostos em 1987, na mostra “Brésil, Arts Populaires”, no Grand Palais, Paris, e hoje estão na exposição permanente de arte popular do Centro Cultural de São Francisco, em João Pessoa, PB. Expôs no Museu de Arte Popular da Paraíba e na Casa Cor, São Paulo, em 2001, com prêmio para o ambiente do designer Arthur Casas, que incluiu a cadeira de três pés e espaldar alto de Fernando.
Participou da mostra “O Sentar Brasileiro” com 100 cadeiras e bancos, que inaugurou o novo Museu de Curitiba, de Oscar Niemeyer, onde três peças suas foram colocadas na sala principal ao lado dos móveis dos irmãos Campana. Tem um pronunciado gosto pelo orgânico, bem equilibrado em seu mobiliário, mas que, quando se transfere para a escultura que pratica na virada do século XX para o XXI, gera um não menos fascinante bestiário de criaturas apavorantes, frequentemente híbridas. Seus recortes muitas vezes conceituais da modernidade fazem-no igualmente representar como ex-voto um braço de Ayrton Senna, com uma face de atabaque para percussão cerimonial pela morte do ídolo da Fórmula-1. Esse objeto tinha também a função de marmita térmica nas suas caçadas, pois é revestido de alumínio. A presença de Fernando contribuía para a revelação gradual da Ilha do Ferro como um centro de criação habitado por numerosos artistas.

Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005




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